Me perco incorrigível no labirinto das lembranças suas Tento te sentir a cada tragada dos cigarros que fumo com a insistência de te ter Alimento sua existência mental, no tempo paralelo entre nós Saio rasgando folhas de papel com minha navalha de tinta salgada É certo que chego a duvidar se o que alimento existe, se crio a pretensão de ser amor Tanto tempo se passou, e a impressão que em mim fica, é que a cada instante que sumo mais da sua memória, você fica mais cravado no ar que me restou Quanto mais sombra eu fico, mais matéria você se faz Poderia eu me sentar naquela mesa do bar mistificado ao lado das caixas do deposito e te esperar surgir pela porta? Ou te buscar de boca em boca, sexo por sexo, esburacando ainda mais a solidão, ser teu espelho Arrependo-me rápido das loucas tentativas que poderia tomar É só ter a chance de pensar duas vezes, deveria me submeter ao impulso Existe algum tipo favorável de escolha? A certeza que vejo, é a de não conseguir me livrar Eu gosto do que não presta Alimento com afeto o que me rói Dessas recaídas, o que sobra no dia seguinte é um buraco ainda maior Um pulmão cansado, um fígado estraçalhado e o coração afogado no vinho E saudades, muita saudade do tempo em que tudo era inquieto Fervorosamente intenso, estômago revolto, borboletas carnívoras Falta até dos possíveis cornos nunca revelados Servido na bandeja pública, velas e incenso Me diga ao menos que eu sou burro e pateta o suficiente para ainda estar parado, sentado a sua espera Joga na minha cara as palavras que não quis escutar, me livra de toda essa porra lambuzada...
Devia ter me prendido eternamente naquele ultimo abraço apertado
E me limitado a escrever devotos versos açucarados
Ter lutado contra as balas, pirulitos e canastrões rosados
Redimindo-me a compartilhar, quem sabe
E com isso retirar o prazer do sangrar
Me contentar com os escuros, aprender com os abusos
Felicidade, uma ferida aberta e inflamada
Te dominar como um bicho, te possuir, aprender a impor prazer
O tempo nos chocou, nos separou
Escolhas nos afastaram, as tuas
Me fez virar as costas
Me fez provar o gosto venenoso das lagrimas sanitárias
Encarnar um vigilante de um museu abandonado, empoeirado com lembranças...
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ele pensou em sair por ai
Tinha a impressão que em algum lugar encontraria
Em outra cidade, quem sabe
Ou país, poderia ser também
Sair vagando, à procura do complemento
Caçando as coincidências do destino
Tentando ver através das vitrines, dos bares
Querendo ser encontrado
Buscando o que está por dentro
E no fim,
Descobrir que o tesouro estava no local da partida
Nas migalhas que vão sendo deixadas
Nas opções colocadas no bolso, descartadas
No conhecido estranho que não localizávamos mais...
O oco, seco e confuso Buraco do mundo perdido Procura infiltrada, retorno Queda livre em freios gastos Abismo sem fim Fundo sem chegada Carência sem cura Viagem sem volta Passagem de alto preço Felicidade suja, atos recolhidos Letra sem melodia Cansaço sem sono Gula sem fome Paz na guerra silenciosa do abandono Espiral do tempo...