segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pernas Bambas


Quando vamos encontrar tempo para a amizade?
Deveríamos fazer as pazes
Acabo de romper meu tratado de silêncios, de um riso cultivando úlceras
Tenho que levantar minha bandeira branca primeiro
Alguém tem que fazer algo, tuas atitudes só funcionam na banalidade
Como posso cumprimentar o inimigo?
Nunca é seguro com agente, escancaro brechas de asco e entregas involuntárias
À noite, quando o sono não vem e vultos mentais invadem minhas paredes
A mente fervilha pensamentos, cozinha os atos não contidos
Os espasmos gratuitos que dividimos sem saber, sabendo
É sempre melhor beber a felicidade, tragar o medo, retardar
Maquiar com destilados e sombras o espaço vazio
Criei um amigo imaginário, cultivei nas linhas, planta carnívora
Erva daninha tomando conta de tudo
Quebra-cabeça de peças minhas, incompleto
Regressos são sempre esperados com a cara lavada e o orgulho derrotado
A manhã cai, as palavras banais não servem nem para motivar uma descarga
Andei pensando em por uma pedra naquilo que se foi, mas nunca partiu
Podemos ficar a sós?
Estranho costurado de lembranças, ossos e cinismo
Procuro minutos, paro os ponteiros, destruo ampulhetas
Existe essa amizade?
A vergonha se perdeu em algum encostamento enlameado
Lágrimas estão em divida, falência, reembolso pela gratidão não atendida
A culpa podia te fazer desmoronar, se não me sufocar primeiro
Querido, nunca haverá amor suficiente, nossa gula não se iguala
Mire sua certeira arma casual, queime aquele poema amassado no esquecimento
Então, quando faremos essa faxina, as mudanças, trocas, transfusões?
Quero esse toque de nervos inflamados
Passe por aqui, traga a noite de lua cheia, esqueça a chuva
Coloque fogo nesse prédio assombrado, explore, descubra a herança perdida
Cerque todos os lados com teus explosivos ilícitos, me desfrute
Mas não me abandone embriagado desses líquidos que não tenho mais, nunca provei
Estou serrando as algemas, elas vão se partir, eu vou embora de sua ausência
Enquanto isso dói e eu alimento desencantos...

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